É quase sempre a primeira pergunta que eu recebo, e é a que eu menos consigo responder de cara. Não porque eu não queira, mas porque essa pergunta ainda não tem informação suficiente pra virar resposta. Vou explicar o porquê, e o que eu olho de verdade antes de falar em valores.
Perguntar "quanto custa" é como perguntar quanto custa uma casa
Sem dizer o tamanho, o bairro ou o acabamento. Se eu solto um número logo de cara, a pessoa se agarra a ele, e quando o projeto ganha forma e o valor muda, vira frustração pros dois lados. O que normalmente falta é entender o que o produto precisa fazer, pra quem ele serve e o que precisa estar funcionando pra ideia ser testada de verdade. Também faz diferença saber se já existe algum design pronto, se o prazo é apertado e se o sistema vai precisar conversar com outras ferramentas.
O que realmente pesa no preço
O que mais pesa quase nunca é o número de telas, e sim a regra de negócio por trás delas. Integração com sistema de terceiro, pagamento, login com diferentes tipos de usuário e painel administrativo mexem bastante no valor. Mas a primeira grande decisão é o tipo de plataforma. Um app mobile costuma exigir mais esforço, principalmente se precisar rodar em iPhone e Android, passar pela publicação nas lojas e usar recursos do próprio aparelho. Um web app costuma ser bem mais enxuto pra validar uma ideia. E duas telas com uma lógica complicada podem custar mais do que dez telas simples.
Pense em degraus, não em um preço só
Gosto de explicar como uma escada, em que cada degrau traz mais funcionalidade e mais trabalho por trás, e por isso mais investimento também.
O primeiro degrau é o site simples, aquele que apresenta o negócio, mostra os serviços e leva a pessoa a entrar em contato. É o investimento mais enxuto dessa escada.
O segundo degrau é o web app, que já é um sistema de verdade, onde o usuário faz cadastro, entra na própria conta e usa uma funcionalidade central. Quando entram pagamento, painel administrativo e integrações, o esforço sobe bastante, e cada caso passa a pedir uma conversa mais detalhada.
O terceiro degrau é o app mobile, que exige mais esforço por rodar no celular, funcionar em iPhone e Android e passar pela publicação nas lojas. É o degrau mais alto da escada.
Por isso prefiro falar em referência do que fechar um preço sem contexto. Muita gente que pensa em app consegue validar a mesma ideia com um web app, gastando bem menos e aprendendo mais rápido. Só depois que a ideia se prova é que costuma valer a pena subir de degrau.
O erro mais caro que eu já vi
É contratar o mais barato sem olhar o que estava por trás do preço. Já vi gente gastar pouco no começo, receber um produto difícil de manter e ter que refazer tudo do zero, pagando duas vezes e perdendo meses. Outro erro comum é cortar a parte errada, abrindo mão do que valida a ideia e mantendo o que é só acabamento. E tem quem pule a etapa de conversar com usuários e definir bem o escopo, e acaba construindo algo que ninguém pediu.
Como eu ajudo a decidir o que construir primeiro
Sempre faço a mesma pergunta. Qual é a menor coisa que, se funcionar, já mostra que essa ideia vale a pena? A partir daí a gente lista tudo o que a pessoa imagina pro produto e separa o que é essencial pra primeira pessoa usar e pagar do que pode esperar. Muita coisa dá pra fazer manualmente no começo e só automatizar depois que a ideia se provar. O que fica fora do primeiro ciclo não é descartado, só espera até existir retorno suficiente pra sustentar aquilo.
MVP não é uma versão ruim, é uma versão focada
Gosto de lembrar disso porque muita gente ainda associa MVP a produto incompleto ou malfeito. Também vale lembrar que o orçamento não termina no lançamento, porque depois vêm ajustes, correções e aprendizados com os primeiros usuários, e isso precisa entrar na conta desde o início. Por fim, um escopo bem escrito e combinado antes de começar protege os dois lados e evita a maior parte das dores de cabeça no meio do caminho.